Redação Portal Boi a Pasto

A rastreabilidade na cadeia da carne deixou de ser apenas uma exigência sanitária e passou a ocupar papel estratégico na competitividade da pecuária e da indústria frigorífica. Além de assegurar segurança alimentar, o controle da origem dos animais e dos processos produtivos tornou-se essencial para atender às demandas da agenda ESG (ambiental, social e governança) e às exigências dos mercados internacionais.
Em um cenário global cada vez mais atento à procedência dos alimentos, acompanhar o percurso do animal — do campo ao consumidor final — tornou-se um diferencial competitivo para produtores, frigoríficos e exportadores. A cadeia da carne envolve múltiplas etapas, como produção pecuária, transporte, abate, processamento, armazenamento e distribuição, todas dependentes de informações confiáveis, padronizadas e auditáveis.
Rastreabilidade vai além da tecnologia e exige integração de processos
Mais do que investimento em tecnologia, a rastreabilidade exige processos bem definidos, equipes capacitadas e integração entre os diferentes elos da cadeia produtiva. Esse conjunto de ações permite assegurar o cumprimento de normas sanitárias, ambientais e trabalhistas, além de atender aos padrões de qualidade exigidos por clientes, certificadoras e países importadores.
Sistemas de gestão integrados, automação de registros, identificação individual dos animais e plataformas digitais de monitoramento vêm ampliando a capacidade de coleta, organização e análise de dados, fortalecendo a governança da cadeia da carne.
Combate ao desmatamento e conformidade ambiental
No pilar ambiental da agenda ESG, a rastreabilidade pecuária tornou-se ferramenta fundamental no combate ao desmatamento ilegal. O cruzamento de dados produtivos, geográficos e ambientais permite verificar a regularidade das propriedades rurais, qualificar fornecedores e reduzir riscos socioambientais.
Esse controle fortalece a imagem da pecuária brasileira perante mercados internacionais, especialmente em um contexto de maior rigor regulatório, pressão de consumidores e exigências de compradores europeus e asiáticos.
Monitoramento de emissões e sustentabilidade da produção
Outro aspecto cada vez mais relevante é o acompanhamento das emissões de carbono ao longo da cadeia produtiva da carne. Com informações estruturadas, frigoríficos e empresas do setor conseguem elaborar inventários de gases de efeito estufa (GEE), identificar etapas mais intensivas em emissões e adotar estratégias de mitigação.
Esse monitoramento é essencial para atender compromissos de neutralidade de carbono, programas de sustentabilidade corporativa e critérios de financiamento sustentável.
Eficiência produtiva e redução de custos
A rastreabilidade também contribui para o uso mais eficiente de recursos naturais, como água, energia, insumos e logística. O acompanhamento detalhado dos processos permite identificar gargalos, reduzir desperdícios, padronizar operações e aumentar a eficiência produtiva, com reflexos diretos na rentabilidade da atividade.
Para o produtor rural, a organização dos dados melhora a gestão da fazenda, facilita auditorias, amplia acesso a programas de certificação e fortalece a relação comercial com frigoríficos e compradores.
Bem-estar animal e responsabilidade social
No pilar social da agenda ESG, o bem-estar animal ganha protagonismo. Registros relacionados ao manejo, transporte e abate permitem comprovar o cumprimento de protocolos técnicos e legislações nacionais e internacionais, além de facilitar auditorias e certificações.
A transparência desses dados fortalece a confiança do consumidor e amplia o acesso a mercados premium, que remuneram práticas responsáveis.
Rastreabilidade como estratégia de mercado
Com a ampliação do uso de tecnologias digitais, a rastreabilidade tende a se consolidar como parte da rotina operacional da pecuária e da indústria da carne. O resultado é mais transparência, confiabilidade das informações, redução de riscos comerciais e fortalecimento da governança corporativa.
Nesse contexto, investir em rastreabilidade deixa de ser custo e passa a ser estratégia de posicionamento. Trata-se de uma ferramenta capaz de ampliar oportunidades comerciais, atender às exigências internacionais e posicionar a cadeia da carne brasileira como referência em sustentabilidade, eficiência e responsabilidade.
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Curadoria: Marisa Rodrigues para o portal Boi a Pasto





