INTEGRA√á√ÉO LAVOURA-PECU√ĀRIA

A cultura do milho na Integra√ß√£o Lavoura-Pecu√°ria A cultura do milho (Zea mays) se destaca no contexto da Integra√ß√£o Lavoura-Pecu√°ria (ILP) devido √†s in√ļmeras aplica√ß√Ķes que esse cereal t√™m dentro da propriedade agr√≠cola, quer seja na alimenta√ß√£o animal na forma de gr√£os ou de forragem verde ou conservada (rol√£o, silagem), na alimenta√ß√£o humana ou na gera√ß√£o de receita mediante a comercializa√ß√£o da produ√ß√£o excedente. Outro ponto importante s√£o as vantagens comparativas do milho em rela√ß√£o a outros cereais ou fibras no que diz respeito ao seu cons√≥rcio com capim. Uma das vantagens √© a competitividade no cons√≥rcio, visto que o porte alto das plantas de milho exerce, depois de estabelecidas, grande press√£o de supress√£o sobre as demais esp√©cies que crescem no mesmo local. A altura de inser√ß√£o da espiga permite que a colheita mecanizada seja realizada sem maiores problemas, pois a regulagem mais alta da plataforma diminui os riscos de embuchamento. Somando-se isso √† disponibilidade de herbicidas graminicidas p√≥s-emergentes, seletivos ao milho, √© poss√≠vel obter-se resultados excelentes com o cons√≥rcio milho + capim, como, por exemplo, no sistema Santa F√©. A cultura do milho tamb√©m possibilita trabalhar com diferentes espa√ßamentos. Atualmente, a tend√™ncia √© reduzir o espa√ßamento entre as fileiras do milho. Isso vai melhorar a utiliza√ß√£o de luz, √°gua e nutrientes e aumentar a capacidade de competi√ß√£o das plantas de milho. No cons√≥rcio com forrageiras, a redu√ß√£o de espa√ßamento tem, ainda, a vantagem de formar um pasto mais bem estabelecido (fechado), quando as sementes da forrageira s√£o depositadas somente na linha de plantio do milho. A decis√£o pelo espa√ßamento do cons√≥rcio a ser estabelecido deve levar em conta a disponibilidade das m√°quinas, tanto para o plantio quanto para a colheita. Vantagens da Integra√ß√£o Lavoura-Pecu√°riaA integra√ß√£o lavoura-pecu√°ria √© a diversifica√ß√£o, rota√ß√£o, consorcia√ß√£o ou sucess√£o das atividades agr√≠colas e pecu√°rias dentro da propriedade rural de forma planejada, constituindo um mesmo sistema, de tal maneira que h√° benef√≠cios para ambas. Possibilita, como uma das principais vantagens, que o solo seja explorado economicamente durante todo o ano ou, pelo menos, na maior parte dele, favorecendo o aumento na oferta de gr√£os, de fibras, de l√£, de carne, de leite e de agroenergia a custos mais baixos devido ao sinergismo que se cria entre a lavoura e a pastagem. Sistemas de Integra√ß√£o Lavoura-Pecu√°ria (SILP), compostos por tecnologias sustent√°veis e competitivas, foram e ainda est√£o sendo desenvolvidos ou ajustados √†s diferentes condi√ß√Ķes edafoclim√°ticas do pa√≠s, o que tem possibilitado a sustentabilidade do empreendimento agr√≠cola, com redu√ß√£o de custos, distribui√ß√£o de renda e redu√ß√£o do √™xodo rural em decorr√™ncia da maior oferta de empregos no campo. Dentre os principais benef√≠cios para o produtor podemos destacar: (i) diversifica√ß√£o de atividades/produ√ß√£o garantindo maior estabilidade de renda, uma vez que o produtor n√£o fica dependente das condi√ß√Ķes favor√°veis de mercado e ou sujeito √† problemas clim√°ticos de apenas um produto, al√©m de possibilitar a obten√ß√£o de receitas em diferentes √©pocas do ano; (ii) associa o baixo risco da atividade pecu√°ria com a possibilidade de alta rentabilidade da produ√ß√£o agr√≠cola; (iii) viabiliza a recupera√ß√£o do potencial produtivo de √°reas j√° desmatas, principalmente pastagens degradadas, aumentando a produ√ß√£o e oferta de gr√£os, fibras, agroenergia, carne e leite, contribuindo para a redu√ß√£o da press√£o por abertura de novas √°reas, principalmente na regi√£o Amaz√īnica; (iv) como alternativa para a recupera√ß√£o de pastagens degradadas, a ILP apresenta viabilidade t√©cnica e econ√īmica, utilizando-se a produ√ß√£o da lavoura (gr√£os, fibras etc) para cobrir os custos de preparo da √°rea e aquisi√ß√£o dos corretivos e fertilizantes, ficando o pecuarista com a pastagem recuperada; (v) otimiza a utiliza√ß√£o de m√°quinas, equipamentos, insumos e m√£o de obra no decorrer do ano, ou seja, as m√°quinas e funcion√°rios que no per√≠odo da safra est√£o ocupados na condu√ß√£o das lavouras, no per√≠odo da entressafra ser√£o utilizados nas atividades pecu√°rias; (vi) redu√ß√£o na incid√™ncia de pragas, doen√ßas e plantas daninhas nas lavouras em fun√ß√£o da rota√ß√£o de culturas, baixando os custos de produ√ß√£o (redu√ß√£o da quantidade de defensivos agr√≠colas e custos de aplica√ß√£o); (vii) maior efici√™ncia de utiliza√ß√£o de corretivos e fertilizantes aplicados por meio de consorcia√ß√£o e/ou sucess√£o de culturas/pastagem em uma mesma √°rea, como exemplo o aproveitamento pelas pastagens do adubo residual utilizado na cultura anterior; (viii) na ILP, com a introdu√ß√£o de capins em determinados per√≠odos nas √°reas de lavoura, t√™m-se a produ√ß√£o de excelente palhada (quantidade e qualidade) para a realiza√ß√£o do Sistema de Plantio Direto na palha. O plantio direto possibilita a redu√ß√£o de custos com opera√ß√Ķes mecanizadas e defensivos, eleva o teor de mat√©ria org√Ęnica no solo, melhora a estrutura f√≠sica do mesmo elevando a velocidade de infiltra√ß√£o da √°guas das chuvas e mant√©m o solo com cobertura vegetal durante todo o ano, protegendo-o da eros√£o e repercutindo em benef√≠cios ambientais significativos. Durante as etapas de convers√£o da propriedade ou parte dela para SILP, o propriet√°rio dever√° ir se qualificando, pois o gerenciamento torna-se mais complexo. A maior dificuldade para ado√ß√£o de SILP, por parte do pecuarista, √© seu parque de m√°quinas geralmente limitado. Por sua vez, o agricultor demandar√° investimentos consider√°veis em cercas e animais. Em raz√£o disso, acordos de parcerias e arrendamentos de terra t√™m sido uma sa√≠da para aqueles que n√£o disp√Ķem de capital para fazer esses investimentos ou n√£o est√£o dispostos a utilizar as linhas convencionais ou especiais de cr√©dito para SILP que est√£o sendo implementadas. Milho consorciado com forrageirasNa pr√°tica, depara-se com as mais variadas situa√ß√Ķes em que o produtor tenta reduzir os custos de recupera√ß√£o ou reforma de seus pastos fazendo plantio de milho + forrageira. Ali√°s, essa pr√°tica √© bastante antiga. Por outro lado, √© raro aquele que faz implanta√ß√£o de pastagens em √°reas agr√≠colas. Existem para estas duas situa√ß√Ķes propostas para inserir as propriedades em SILP de tal forma que elas passem a ser mais sustent√°veis e competitivas. As tecnologias dispon√≠veis s√£o o Sistema Barreir√£o, o Sistema Santa F√© e suas varia√ß√Ķes. Qualquer um desses sistemas √© perfeitamente ajust√°vel a qualquer tamanho de propriedade, desde as pequenas, com alguns hectares e que usam a m√£o-de-obra familiar, at√©

Nova metodologia mede emiss√£o de metano em reprodutores bovinos

Gas metano √© gerado no processo digestivo dos bovinos Metodologia desenvolvida pela Embrapa Pecu√°ria Sul (RS) √© capaz de mensurar a emiss√£o de g√°s metano (CH4) em reprodutores bovinos de ra√ßas europeias. Denominada de Prova de Emiss√£o de Gases (PEG), consiste na coleta do metano emitido por jovens reprodutores de uma mesma ra√ßa, mantidos sob condi√ß√Ķes id√™nticas de manejo e alimenta√ß√£o durante cinco dias. Depois, o g√°s √© avaliado em laborat√≥rio e os animais s√£o classificados de acordo com a emiss√£o a partir de coeficientes previamente estabelecidos. O objetivo da PEG, que ser√° lan√ßada durante a Expointer 2022, √© identificar animais que apresentem menor emiss√£o de metano por quilo de alimento consumido e por quilo de peso vivo produzido. A identifica√ß√£o dos jovens reprodutores com menores √≠ndices de emiss√£o de metano pode ser empregada no melhoramento das ra√ßas, utilizando a gen√©tica na forma√ß√£o de prog√™nies com essa caracter√≠stica. De acordo com a pesquisadora Cristina Genro, da Embrapa, identificar animais mais eficientes na rela√ß√£o entre consumo de alimentos, ganho de peso e menor emiss√£o do g√°s √© mais uma ferramenta em prol da sustentabilidade da pecu√°ria brasileira e da redu√ß√£o de impacto nas mudan√ßas clim√°ticas. A relev√Ęncia da prova, segundo a pesquisadora, tamb√©m est√° relacionada ao fato de o Brasil ter aderido ao Pacto Mundial do Metano na COP26, realizada na Esc√≥cia em 2021, no qual se comprometeu a reduzir a emiss√£o desse g√°s, considerado fundamental na estrat√©gia de mitiga√ß√£o do aquecimento global. Segundo dados do Observat√≥rio do Clima, 70,5% das emiss√Ķes nacionais de metano s√£o originadas da agropecu√°ria, sendo 90% oriundas da fermenta√ß√£o ent√©rica dos bovinos. ‚ÄúNesse sentido, a identifica√ß√£o de animais mais eficientes no uso dos alimentos e que, portanto, emitam menos metano por quilo de alimento consumido, passou a ser algo de grande import√Ęncia para a cadeia da carne bovina brasileira‚ÄĚ, ressalta Fernando Cardoso, chefe-geral da Embrapa Pecu√°ria Sul, . Em 2022, foram realizadas PEGs com animais que participaram de outras provas de desempenho no centro de pesquisa. O objetivo foi validar a metodologia utilizada para a mensura√ß√£o, bem como para a adapta√ß√£o e ajustes no equipamento usado na coleta do g√°s. Segundo Genro, umas das mudan√ßas feitas nesse per√≠odo foi a inser√ß√£o de dois sistemas de coleta e armazenagem do g√°s. ‚ÄúCom isso teremos mais seguran√ßa na coleta dos dados, pois caso um dos coletores ou tubos n√£o funcione, teremos o outro para enviar para a an√°lise‚ÄĚ, explica. As provas foram realizadas com reprodutores das ra√ßas Angus, Braford, Charol√™s e Hereford. ‚ÄúNos resultados preliminares, verificou-se uma m√©dia de emiss√£o nesses reprodutores de 48 kg/animal/ano de metano, bem menor do que √© preconizado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudan√ßas Clim√°ticas (IPCC) para animais da mesma categoria, que √© de 56 kg/animal/ano‚ÄĚ, complementa a pesquisadora. Como funciona a metodologiaA metodologia para aferir a emiss√£o de metano pelos animais utiliza a t√©cnica do g√°s tra√ßador hexafluoreto de enxofre (SF6). Para tanto, uma c√°psula com a subst√Ęncia √© administrada via oral ao reprodutor no in√≠cio da prova. O SF6 liberado pela c√°psula mistura-se aos gases da fermenta√ß√£o ruminal, atuando como um tra√ßador do g√°s metano produzido e arrotado pelo animal. O ar expirado pelo bovino √© captado por um tubo capilar de a√ßo inoxid√°vel posicionado na regi√£o logo acima das narinas. O tubo capilar √© conectado por uma mangueira a um recipiente cil√≠ndrico de alum√≠nio, localizado no dorso do bovino, preenchido pelos gases captados durante os cinco dias de coleta. Depois, o recipiente √© pressurizado com nitrog√™nio e as concentra√ß√Ķes do metano e do SF6 s√£o determinadas a partir de t√©cnicas de cromatografia gasosa em laborat√≥rios especializados. Al√©m dos recipientes colocados nos animais, s√£o distribu√≠dos na √°rea mais quatro cilindros providos de v√°lvulas reguladoras de ingresso em cada per√≠odo experimental, a fim de captar amostras do ambiente. A PEG √© realizada logo ap√≥s o t√©rmino da Prova de Efici√™ncia Alimentar (PEA), que gera os dados de consumo e desempenho individuais utilizados para os c√°lculos de emiss√£o de g√°s metano por consumo de alimento e ganho de peso. Nas duas provas, a alimenta√ß√£o e o manejo s√£o os mesmos, em um ambiente controlado e com oportunidades iguais para cada animal expressar seu potencial gen√©tico. A dieta fornecida aos animais √© composta por 75% de volumoso (silagem e feno) e 25% de concentrado. O coeficiente t√©cnico para a classifica√ß√£o dos reprodutores √© calculado com base na rela√ß√£o entre a emiss√£o de metano por consumo de mat√©ria seca e a emiss√£o de metano por ganho m√©dio di√°rio. A partir dessas rela√ß√Ķes, os reprodutores ser√£o estratificados em elite, superior e comercial. Emiss√£o de metano √© decorrente do processo de digest√£o dos bovinosA produ√ß√£o de metano em bovinos ocorre durante o processo natural de digest√£o dos alimentos pelos animais. Depois de ingeridos, os alimentos v√£o para o r√ļmen, √≥rg√£o do aparelho digestivo, onde micro-organismos ajudam na digest√£o por meio da fermenta√ß√£o, produzindo tamb√©m o g√°s metano, que √© emitido para a atmosfera a partir da eructa√ß√£o (arroto) dos animais. Segundo Genro, √© poss√≠vel mitigar a emiss√£o de metano na pecu√°ria brasileira, especialmente pelo manejo nas propriedades. ‚ÄúPesquisas mostram que, com o manejo correto das pastagens e dos animais, √© poss√≠vel alcan√ßar um balan√ßo positivo do carbono. Ou seja, a atividade consegue capturar mais carbono e estocar no solo em maior quantidade do que emite na natureza‚ÄĚ, explica. De acordo com a pesquisadora, medidas simples como o controle da altura das pastagens contribuem de forma muito positiva para alcan√ßar esse objetivo. Para a grande maioria de esp√©cies de forrageiras utilizadas na Regi√£o Sul, a Embrapa tem estudos que indicam a altura ideal para a entrada e sa√≠da de animais nas pastagens, de forma a aumentar o estoque de carbono no solo e mitigar a emiss√£o dos GEE. ‚ÄúPastagens bem manejadas podem ser um grande sumidouro de carbono‚ÄĚ, ressalta. A ado√ß√£o de outras tecnologias tamb√©m pode contribuir para uma produ√ß√£o mais sustent√°vel na pecu√°ria em rela√ß√£o √†s mudan√ßas clim√°ticas. Entre elas, a pesquisadora destaca a Integra√ß√£o Lavoura-Pecu√°ria-Floresta (ILPF), um sistema que proporciona maior sustentabilidade, por utilizar em um

Suplementação na seca: quem não planejou, agora, precisa remediar

O inverno, que n√£o apareceu este ano, exceto na regi√£o Sul, castigou mais ainda, com alt√≠ssimas temperaturas a maioria das regi√Ķes do Brasil, prejudicando (secando, na verdade) ainda mais, as pastagens. (*) Por Marisa Rodrigues O inverno, que n√£o apareceu este ano, exceto na regi√£o Sul, castigou mais ainda, com alt√≠ssimas temperaturas a maioria das regi√Ķes do Brasil, prejudicando (secando, na verdade) ainda mais, as pastagens. O que deve ter causado muitos preju√≠zos para os pecuaristas. Em especial, para aqueles que n√£o planejaram com anteced√™ncia a passagem por esse dur√≠ssimo per√≠odo de estiagem. Todos os anos essa tarefa tem que ser feita como uma li√ß√£o de casa. Tem que entrar na rotina di√°ria das propriedades. O pecuarista n√£o pode dormir em ber√ßo espl√™ndido durante os primeiros quatro meses do ano, enquanto as chuvas em geral s√£o abundantes por todo o Pa√≠s, sem prestar aten√ß√£o na esta√ß√£o da seca, trazida pelo inverno, que, em fun√ß√£o das j√° aceleradas mudan√ßas clim√°ticas, √© cada vez mais rigorosa. O fen√īmeno vem sendo amplamente estudado e divulgado pelas mais s√©rias institui√ß√Ķes de pesquisas cient√≠ficas mundiais, mas parece que a ficha demora para cair justamente entre aqueles que mais precisam dela. Gente que convive com a lida di√°ria em suas fazendas pecu√°rias, atividade estreitamente ligada ao meio ambiente, parece preferir fazer ouvidos moucos aos gritos da m√£e natureza. O resultado √© que as solu√ß√Ķes- sim, elas existem e n√£o s√£o poucas – para mitigar o problema, a curto, m√©dio e longo prazos, acabam sempre sendo procrastinadas, empurradas sempre mais um pouquinho para frente, e √≥bvio, o problema n√£o s√≥ persiste como vai se avolumando, n√£o s√≥ no Brasil, mas no planeta todo. √Č s√≥ prestarmos aten√ß√£o nas ondas de calor do ver√£o europeu que passaram dos 40 ¬įC, em diversos pa√≠ses onde o frio se faz sentir, mesmo na esta√ß√£o mais quente do ano, como o Reino Unido, Portugal, Alemanha, Fran√ßa, entre outros. N√£o √© mais uma quest√£o de mito ou verdade. A situa√ß√£o √© bastante s√©ria e a cada ano, s√≥ tende a piorar, elevando cada vez mais os custos de produ√ß√£o, pois o temido efeito do boi sanfona, que quase virou lenda nas propriedades de alta performance, na √©poca da seca, neste ano al√©m de pequenos e m√©dios produtores, atingiu muitos grandes tamb√©m, pois os efeitos da esta√ß√£o foram e ainda est√£o muito intensos, nas diferentes regi√Ķes brasileiras, independentemente do calor exagerado em pleno inverno, do Sudeste para cima, como no Sul, onde as temperaturas muito baixas, at√© com registros de neve, onde esse evento clim√°tico n√£o √© muito comum, castigaram e acabaram com as pastagens. Nessa altura do campeonato, para quem n√£o fez o planejamento nutricional para a preven√ß√£o da seca, com anteced√™ncia de uns quatro meses, pelo menos, agora, no auge dela, a √ļnica coisa a se fazer √© suplementar o rebanho com produtos formulados especificamente para supri-los com vitaminas e sais minerais, al√©m de outros nutrientes que ajudam na manuten√ß√£o do score corporal da vaca. Na verdade, a suplementa√ß√£o mineral √© fundamental para complementar a nutri√ß√£o dos bovinos, e deve acontecer o ano todo, apenas sendo adaptada para cada fase do gado combinada com a ingest√£o das pastagens verdes e cheias de prote√≠na. Pastagens essas que, dentro do planejamento podem ser transformadas em feno ou silagem, e armazenadas para que n√£o faltem no per√≠odo mais cr√≠tico. (*) Marisa Rodrigues, consultora de comunica√ß√£o e marketing especializado para o agroneg√≥cio, com √™nfase em pecu√°ria, √© jornalista, CEO da Taxi Blue Comunica√ß√£o Estrat√©gica e publisher-fundadora do portal Boi a Pasto.

Pecu√°ria sustent√°vel x pecu√°ria extrativista

Em entrevista, uma das quest√Ķes levantadas foi √† forma que a pecu√°ria √© colocada como a maior vil√£ nas quest√Ķes ambientais, e de como as mudan√ßas clim√°ticas associadas ao Agro vem apresentando um quadro assustador de ‚Äúfim do mudo‚ÄĚ. No in√≠cio desse ano, a Universidade de Berkeley, na Calif√≥rnia (EUA) publicou em seu jornal acad√™mico, um estudo que afirma que, se a cria√ß√£o de animais para alimenta√ß√£o fosse eliminada, ter√≠amos como resultado, um impacto clim√°tico positivo substancial, que mudaria o curso do quadro de aquecimento global que temos hoje. Segundo Michael Eisen, um dos pesquisadores do estudo; o trabalho realizado por eles mostra que, acabar com a pecu√°ria, tem o potencial √ļnico de reduzir significativamente, os n√≠veis atmosf√©ricos de todos os tr√™s principais gases de efeito estufa; e por hesitamos em responder √† crise clim√°tica, isso se faz necess√°rio para evitar uma cat√°strofe. Diante desse cen√°rio, conversamos em entrevista com Mauroni Canguss√ļ – M√©dico Veterin√°rio e produtor rural. Refer√™ncia em pecu√°ria regenerativa. E Prof. Dr. Rog√©rio Martins Maur√≠cio – Especialista em Biotecnologia Ambiental e Pecu√°ria sustent√°vel para saber mais sobre o Eco-Suic√≠dio, e o que podemos fazer para evitar que isso aconte√ßa. Em entrevista, uma das quest√Ķes levantadas foi √† forma que a pecu√°ria √© colocada como a maior vil√£ nas quest√Ķes ambientais, e de como as mudan√ßas clim√°ticas associadas ao Agro vem apresentando um quadro assustador de ‚Äúfim do mudo‚ÄĚ. Segudo o Mauroni, esse quadro existe devido √† exaust√£o do uso dos recursos naturais. Com o numero populacional mundial que temos atualmente, a barreira da sustentabilidade foi rompida, a sociedade est√° degradando mais do que a capacidade regenerativa da natureza. ‚ÄúAo longo do tempo, se voc√™ degrada mais do que regenera, voc√™ leva a elimina√ß√£o da humanidade.‚Ä̬†Mauroni Canguss√ļ Por√©m muito est√° sendo feito no Agro, e j√° existem diversas t√©cnicas e tecnologias a disposi√ß√£o, sendo aplicadas em diversas propriedades que visam n√£o s√≥ diminuir a agress√£o ao meio-ambiente, mas tamb√©m ajudar na recupera√ß√£o. E √© o que chamamos de pecu√°ria sustent√°vel ou regenerativa. A produ√ß√£o de alimentos alterou nosso planeta mais do que qualquer outra atividade humana. Ela √© respons√°vel por 24% das emiss√Ķes de efeito estufa e 70% do uso total de √°gua doce; √© talvez a maior causa da perda da biodiversidade no mundo, al√©m disso, a produ√ß√£o de alimentos tamb√©m √© a causa de 80% da perda global de habitat, uma tend√™ncia que est√° acelerando a cada dia. Em vista disso a COP26 (Confer√™ncia do Clima da Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas) realizada no ano passado 2021, com um grupo de 40 pa√≠ses, incluindo o Brasil, negociaram a√ß√Ķes para reduzir a emiss√£o de gases do efeito estufa. Sabendo desse compromisso que n√£o s√≥ o Brasil se prop√īs, mas v√°rios pa√≠ses. O professor Rog√©rio falou um pouco da import√Ęncia dos Sistemas Silvipastoris nesse cen√°rio. Primeiro ele deixou claro que as emiss√Ķes de gases ligado a agropecu√°ria foi apenas um dos temas abordados na COP26, por ser um evento muito complexo tem uma diversidade de temas muito grande. ‚ÄúA produ√ß√£o pecu√°ria bovina, tem um papel social muito importante. […> √Č uma atividade que volta a nossa cultura em 1500 e vem se desenvolvendo.‚Ä̬†Prof. Dr. Rog√©rio Martins Maur√≠cio O estudo de Sistemas Silvipastoris que √© adotado na fazenda Monalisa, foi levado para a COP26 como um exemplo, mas √© preciso ressaltar que a produ√ß√£o de metano que adv√©m do processo de extra√ß√£o de petr√≥leo √© muito maior que a produ√ß√£o de metano dos bovinos, mas infelizmente, o mundo no geral volta o olhar para a vaca, e deixa de lado outros processos que s√£o por vezes mais danosos. Como por exemplo, a matriz energ√©tica baseada no carv√£o mineral, que √© extremamente poluente. ‚ÄúTer√≠amos que ter n√≠veis de preocupa√ß√Ķes, at√© chegar ao n√≠vel de preocupa√ß√£o da pecu√°ria‚ÄĚ.¬†Prof. Dr. Rog√©rio Martins Maur√≠cio Chegando ao n√≠vel da pecu√°ria, o primeiro passo √© sair do sistema extrativista para um sistema sustent√°vel. E √© ai que entra os Sistemas Silvipastoris.Podemos defini-lo como: Uma op√ß√£o tecnol√≥gica de integra√ß√£o lavoura-pecu√°ria-floresta (ILPF) que consiste na combina√ß√£o intencional de √°rvores, arbustos,  pastagens e gado numa mesma √°rea e ao mesmo tempo. Uma das vantagens √© a preserva√ß√£o da biodiversidade local, em segundo lugar est√° a falta de necessidade de fertilizantes qu√≠micos, que √© uma das crises vividas nos dias atuais. Nos Sistemas Silvipastoris a bomba de fertiliza√ß√£o s√£o as ra√≠zes. Terceiro, √© um sistema 0% agrot√≥xicos. Ter uma vis√£o sist√©mica da propriedade. E por √ļltimo, favorece o bem-estar animal. ‚ÄúUma vaca, um animal, debaixo de uma √°rvore, ele vai ter 3 ou 4‚Äô de melhor conforto, com isso o estresse √© menor, a qualidade da carne √© melhor, o ganho de peso √© melhor, e as exig√™ncias internacionais para o conforto animal, s√£o supridas.‚Ä̬†Prof. Dr. Rog√©rio Martins Maur√≠cio Quanto √† transi√ß√£o de um sistema para o outro, o Mauroni diz que: ‚ÄúPara que voc√™ comece uma pecu√°ria regenerativa, primeiro tem que mudar a cabe√ßa. Entender que aquele processo (extrativista) est√° errado.‚ÄĚ O primeiro passo √© parar de colocar fogo, que apesar de ser um desastre para a pecu√°ria brasileira, ainda √© muito usado. Outro ponto √© parar de usar qu√≠micos. Em terceiro lugar, est√° o respeito pelo ecossistema, com ordenamento do uso do solo. √Č um processo lento, e o produtor tem que aceitar que de in√≠cio sua rentabilidade vai cair um pouco, pois dever√° manejar tudo de forma que voc√™ tenha no futuro uma rentabilidade maior nesse novo modelo, e produzir alimentos mais sadios. Confira abaixo essa entrevista na integra: Reda√ß√£o: Boi a Pasto

Pecuária: 3 segredos para aumentar produção e rentabilidade das pastagens

Especialistas explicam o que todo pecuarista precisa fazer para garantir os n√≠veis de nutri√ß√£o adequados para o rebanho de corte e de leite Em um momento em que os produtores precisam mostrar n√≠veis competitivos de pecu√°ria frente ao cen√°rio nacional e internacional, investir no cuidado inicial e na recupera√ß√£o das √°reas de pastagem a longo prazo se torna um aspecto essencial para um crescimento sustent√°vel.Contudo, ainda que seja de extrema relev√Ęncia, esse tipo de cuidado, n√£o √© muito comum no Brasil, o que reflete negativamente no desempenho animal, como explica Jana√≠na Azevedo Martucello, professora da Universidade Federal de S√£o Jo√£o del-Rei e especialista em forragicultura e pastagens. ‚ÄúPrecisamos tratar nossos pastos como lavoura. A partir do momento que o pecuarista entender que o bem mais precioso que ele tem na fazenda √© o capim, vamos ter uma mudan√ßa de mentalidade em nossa pecu√°ria e, consequentemente, uma mudan√ßa de rentabilidade‚ÄĚ, afirma.De acordo com Vin√≠cius Gomes, especialista da Mosaic Fertilizantes, ao atentar para os cuidados essenciais das pastagens, os pecuaristas podem ter ganhos at√© 50% maiores na produ√ß√£o de carne por hectare. Para isso, por√©m, √© preciso seguir alguns passos iniciais: o preparo do solo, a aduba√ß√£o correta e a defini√ß√£o de um calend√°rio de implanta√ß√£o que vai projetar a produtividade e rentabilidade ao longo do tempo. Na lista a seguir, voc√™ confere mais sobre as recomenda√ß√Ķes dos dois especialistas. 1 – Bom preparo do solo O primeiro segredo para garantir uma pastagem produtiva √© criar um preparo com condicionadores de solo, a exemplo do calc√°rio e do gesso, que atuam para regular os n√≠veis de pH e para equilibrar o alum√≠nio do solo. Aplicados de maneira e na dose adequada, eles melhoraram o n√≠vel de aproveitamento de fertilizantes, por exemplo, aumentando a produ√ß√£o de forragem. Segundo Vin√≠cius Gomes, esse procedimento √© necess√°rio para neutralizar e precipitar o alum√≠nio t√≥xico presente nos solos brasileiros, facilitando o enraizamento das forrageiras. ‚ÄúA aplica√ß√£o de calc√°rio e gesso forma o alicerce para o estabelecimento de uma √°rea de pastagem e para que os fertilizantes qu√≠micos que ser√£o aplicados em seguida atuem em uma faixa de pH √≥timo‚ÄĚ, pontua. Posteriormente, o produtor precisa regular os n√≠veis de nitrog√™nio, f√≥sforo, pot√°ssio, magn√©sio, enxofre, entre outros elementos importantes para o desenvolvimento e produtividade das pastagens. A quantidade de nutrientes, por√©m, depende de fatores como o teor de argila do solo, a exig√™ncia de cada gram√≠nea e o n√ļmero de animais que ser√£o alojados na √°rea. ‚ÄúPara que tudo isso seja mensurado, sempre fa√ßa uma amostragem do solo. O Brasil tem biomas, tipos de sistemas de produ√ß√£o e sistemas pecu√°rios diferentes e, para cada particularidade, precisamos fazer uma recomenda√ß√£o de acordo com a an√°lise de solo. Ela √© um raio-X da estrutura de solo da fazenda‚ÄĚ, diz Gomes. 2 – Aplica√ß√£o de fertilizantes qu√≠micos de qualidade Seja na implanta√ß√£o de uma nova √°rea, manuten√ß√£o ou na recupera√ß√£o de uma pastagem degradada, a aplica√ß√£o correta de fertilizantes de alta qualidade pode contribuir para dobrar ou at√© triplicar a taxa de lota√ß√£o, o que vai depender da dose aplicada.Segundo Vin√≠cius Gomes, em rebanhos de corte, isso pode significar um ganho at√© cinco vezes maior na produ√ß√£o de carca√ßa, por exemplo. ‚ÄúO fertilizante √© uma interven√ß√£o direta para aumentar os √≠ndices tanto reprodutivo como de produ√ß√£o. Vemos o resultado tanto no gado de corte quanto no de leite‚ÄĚ, diz. No Brasil, fertilizantes de alta tecnologia, como a linha MPasto, da Mosaic Fertilizantes, atuam nas particularidades do solo nacional e oferecem ao produtor tecnologia  necess√°ria para estabelecer a pastagem desde o princ√≠pio ou at√© mesmo reverter uma √°rea de degrada√ß√£o ‚Äď cen√°rio que atinge cerca de 53% dos pastos atualmente. ‚ÄúA aduba√ß√£o para manuten√ß√£o √© essencial, porque, quando o produtor n√£o faz a reposi√ß√£o dos nutrientes, h√° o in√≠cio do processo de degrada√ß√£o, que vai se instalando nas pastagens e no solo. Tudo isso depende do n√≠vel de tecnologia que o pecuarista deseja implantar na propriedade, bem como a produ√ß√£o em arroba, de leite e taxa de lota√ß√£o que ele estima‚ÄĚ, aponta a professora Jana√≠na Martucello. 3 – Defini√ß√£o de um planejamento forrageiro Antes de colocar qualquer procedimento de cuidados e fertiliza√ß√£o das pastagens em pr√°tica, os especialistas recomendam tra√ßar um planejamento estruturado, para garantir o sucesso da produ√ß√£o de carne durante o ano todo. Segundo Vin√≠cius Gomes, esse planejamento deve considerar fatores como: taxa de de lota√ß√£o, que determina a quantidade de animais por √°rea; tipos de plantas forrageiras que deseja usar; condi√ß√Ķes clim√°ticas de cada regi√£o; extens√£o da √°rea, dentre outros. Uma vez estabelecidos esses aspectos iniciais, o produtor poder√° escolher os melhores produtos para aplicar e quando dever√° iniciar cada etapa. Para isso, a linha MPasto, da Mosaic Fertilizantes, conta com tr√™s produtos distintos, mas complementares: MPasto Super, MPasto Max e MPasto Nitro, desenvolvidos especialmente para pastagens, com a finalidade de aumentar a produ√ß√£o de forragem e produtividade animal por hectare. No caso do MPasto Super, por exemplo, o pecuarista far√° uso de um produto fosfatado com c√°lcio sol√ļvel e com enxofre que contribui para o condicionamento do solo em subsuperf√≠cie e o que melhora o desenvolvimento das ra√≠zes tanto em profundidade e volume. J√° o MPasto Nitro √© um fertilizante nitrogenado de alta concentra√ß√£o √† base de ureia estabilizada com inibidor de ur√©ase que diminui as perdas de am√īnia por volatiliza√ß√£o, dessa forma aumenta a efici√™ncia das aduba√ß√Ķes de cobertura. O MPasto Max, por sua vez, √© um fertilizante fosfatado, que apresenta nitrog√™nio, f√≥sforo e enxofre, em duas formas, sendo uma, o enxofre elementar e a outra em sulfato. Nutrientes esses, importantes para o melhor desenvolvimento e crescimento das pastagens. ‚ÄúA companhia entendeu o vasto mercado que temos para fazer uma pecu√°ria mais forte no Brasil e que traga competitividade no exterior. Sem abrir mais √°reas, mas sendo efetivo e intensificando a produ√ß√£o e rentabilidade em um mesmo espa√ßo‚ÄĚ, completa Gomes. Fonte: Globo Rural Curadoria: Boi a Pasto

Como seria se existisse um Oscar da sustentabilidade?

Assim como no cinema, √© preciso muito trabalho e muita gente qualificada para produzir momentos de encantamento, reflex√£o e transforma√ß√£o E se existisse um Oscar da sustentabilidade? Acho que muita gente j√° se fez essa pergunta, pois existem incont√°veis premia√ß√Ķes, rankings e mecanismos de avalia√ß√£o, no Brasil e no mundo, sobre ado√ß√£o de boas pr√°ticas ESG. Algu√©m dir√° que talvez existam at√© demais e que o excesso pode confundir e dificultar o entendimento sobre o que realmente importa. Seria dif√≠cil discordar de tal afirma√ß√£o. ‚ÄúMas e se existisse um Oscar da sustentabilidade? Porque voc√™ n√£o escreve sobre isso?‚ÄĚ, pergunta meu lado sem medo do rid√≠culo e desejoso por fazer um exerc√≠cio de imagina√ß√£o pretensamente divertido e possivelmente doloroso. Desta vez, cedo √† tenta√ß√£o. Por√©m, ao inv√©s de cometer a insensatez de apontar vencedores(as), ficarei restrito √†s poss√≠veis categorias e crit√©rios de avalia√ß√£o. Categorias t√©cnicas (gest√£o e estrat√©gia)Engajamento de stakeholders: premia a organiza√ß√£o que se destaca por mapeamento e classifica√ß√£o de p√ļblicos estrat√©gicos, processos estruturados de engajamento e relacionamento, iniciativas de cria√ß√£o de valor compartilhado e mecanismos para considerar as contribui√ß√Ķes de stakeholders na tomada de decis√£o. Representatividade no conselho de administra√ß√£o ser√° considerado um diferencial capaz de definir a vencedora. Estrat√©gia de Sustentabilidade: valoriza a exist√™ncia de uma estrat√©gia integrada de gera√ß√£o de valor, que considere os diversos capitais consumidos e produzidos pela organiza√ß√£o (financeiro, humano, ambiental, social, entre outros), bem como suas externalidades. Mapeamento de riscos socioambientais, conex√£o do neg√≥cio com os ODS s√£o outros crit√©rios avaliados. Al√©m disso, desenvolver solu√ß√Ķes regenerativas de alto impacto ser√° decisivo para o j√ļri. Gest√£o ESG: al√©m de estruturas espec√≠ficas, como comit√™s ou √°reas dedicadas, ser√£o valorizadas a ado√ß√£o de ferramentas como matriz de materialidade (com participa√ß√£o dos stakeholders), avalia√ß√£o de impactos na opera√ß√£o e na cadeia de valor, indicadores e mecanismos de gest√£o de temas materiais. Aqui, a exist√™ncia de metas ESG atreladas √† remunera√ß√£o (em porcentagem relevante) √© a diferen√ßa entre finalistas e vencedoras. Relev√Ęncia interna: nesta categoria, tudo depende do envolvimento da lideran√ßa com o tema. O envolvimento √© pontual, eventual ou permanente? T√°tico, gerencial ou estrat√©gico? O tempo dedicado e a disponibilidade para tratar do tema ser√£o indicadores importantes. Governan√ßa: a pontua√ß√£o aqui vai de acordo com a ades√£o a boas pr√°ticas bem conhecidas, como as recomendadas pelo Instituto Brasileiro de Governan√ßa Corporativa (IBGC), que disponibiliza o C√≥digo das Melhores Pr√°ticas de Governan√ßa Corporativa. Transpar√™ncia: como na dire√ß√£o de arte e fotografia, esta categoria √© sobre mostrar o que realmente importa. As organiza√ß√Ķes finalistas ser√£o aquelas que utilizam frameworks reconhecidos para disponibilizar de forma simples, acess√≠vel e pr√°tica dados sobre seu desempenho em temas materiais. Sem enrola√ß√£o, sem informa√ß√Ķes escondidas no canto escuro da tela e sem dar foco naquilo que √© de menor import√Ęncia. Comunica√ß√£o de verdade. Categorias de atua√ß√£o (desempenho)Aqui, falar de crit√©rios ficaria mais complicado, pois os temas s√£o muito diversos (uma boa r√©gua s√£o os indicadores da GRI (Global Reporting Initiative), reconhecidos por mercado e stakeholders em geral. Com essa  refer√™ncia, algumas categorias poss√≠veis seriam: Categorias econ√īmicas: Desempenho Econ√īmico; Compras e Gest√£o da Cadeia de Valor; Conformidade, Combate √† Corrup√ß√£o e Concorr√™ncia Desleal; Pr√°ticas tribut√°rias. Categorias ambientais: Mudan√ßas Clim√°ticas e Emiss√Ķes; Gest√£o H√≠drica e Uso da √Āgua; Gest√£o Energ√©tica; Recursos Naturais; Biodiversidade; Res√≠duos e Economia Circular. Categorias sociais: Emprego e Renda; Rela√ß√Ķes Trabalhistas (com subcategorias como Trabalho Infantil, Trabalho Escravo e Liberdade de Associa√ß√£o); Sa√ļde e Seguran√ßa (de trabalhadores e de consumidores); Diversidade, Equidade e Inclus√£o; Combate √† Discrimina√ß√£o; Direitos de Povos Origin√°rios; Direitos Humanos; Comunidades Locais; Marketing Respons√°vel; Privacidade. Como se v√™, a brincadeira ficou extensa. Isso porque n√£o listei os ODS em cada frente tem√°tica. Fica como mais um lembrete de que a agenda da sustentabilidade n√£o se limita ao tema quente do momento. E de que, assim como no cinema, √© preciso muito trabalho e muita gente qualificada para produzir momentos de encantamento, reflex√£o e transforma√ß√£o. Fonte: Revista Exame

Solução para fertilizante sustentável e disponível no Brasil pode reduzir dependência do agro de importados

A tens√£o se avolumava desde novembro de 2021. H√° quem diga que desde 2014 um poss√≠vel conflito entre R√ļssia e Ucr√Ęnia era posto como algo que se aproximaria a uma terceira guerra mundial. No dia 24 de fevereiro, contudo, enquanto muitos acreditavam que o di√°logo entre as pot√™ncias seria o suficiente para evitar o embate, a invas√£o aconteceu. “A suspens√£o das entregas do fertilizante cloreto de pot√°ssio, origin√°rio da R√ļssia, comprometer√° nossa produ√ß√£o e produtividade agr√≠cola”, disse a Associa√ß√£o Brasileira do Agroneg√≥cio (Abag) ap√≥s suspens√£o ordenada pelo Kremlin. Atualmente, o Brasil importa mais de 90% do pot√°ssio que consome, e cerca de 30% v√™m da R√ļssia. Al√©m da planta√ß√£o de commodities destinadas √† exporta√ß√£o, os alimentos para consumo interno tamb√©m ser√£o afetados. A subida de pre√ßos, que j√° vinha ocorrendo ao longo da pandemia, deve se intensificar. Tudo ficar√°, mais uma vez, mais caro. Por√©m, a solu√ß√£o para o agroneg√≥cio driblar a queda na importa√ß√£o de fertilizantes pode estar dentro do pr√≥prio Brasil. Nesta reportagem, Ecoa conta sobre uma solu√ß√£o mais barata, mais sustent√°vel e nacional. O p√≥ que vem das rochas “S√£o materiais j√° dispon√≠veis, s√£o eficientes, n√£o trazem problemas ambientais como contamina√ß√£o do solo e da √°gua e ainda podem sequestrar CO2 e armazen√°-lo”. √Č assim que Suzi Huff Theodoro, ge√≥loga e professora da Universidade de Bras√≠lia, define o p√≥ de rocha. Como o pr√≥prio nome j√° diz, o p√≥ de rocha √© um composto de rochas mo√≠das que, quando acrescentadas ao solo, funciona como fertilizante, ou seja, oferece nutri√ß√£o √†s planta√ß√Ķes. O com√©rcio desses remineralizadores, como tamb√©m s√£o conhecidos, foi viabilizado pela lei n¬ļ 12.890, de 10 de dezembro de 2013. “Como a rocha √© um bem natural, ela precisa passar por um processo de extra√ß√£o, e n√£o √© qualquer rocha que pode ser utilizada. Ela precisa ser rica em uma s√©rie de nutrientes”, explica a ge√≥loga. “Assim, os remineralizadores atendem do agroneg√≥cio √† agricultura familiar porque os pre√ßos s√£o mais acess√≠veis e porque √© mais f√°cil de extrair”, completa. A pesquisadora diz que pequenas e m√©dias empresas de minera√ß√£o que j√° exploram rochas que servem como remineralizadores de solo podem atuar no ramo, basta obter registro no Minist√©rio da Agricultura, Pecu√°ria e Abastecimento (MAPA). Isso impediria, por exemplo, o risco ambiental de novas extra√ß√Ķes de rocha. “A ideia de juntar o setor mineral ao setor agr√≠cola √© uma excelente sa√≠da. Enquanto que, para o setor mineral, esses materiais representam um problema ambiental em seu armazenamento, eles podem servir de insumos para a agricultura. O problema de um vira solu√ß√£o do outro.” Suzi Huff Theodoro, ge√≥loga e professora da Universidade de Bras√≠lia. Benef√≠cios do p√≥ de rocha1. Pre√ßoOs custos de aquisi√ß√£o s√£o muito menores e seu efeito pode se estender por at√© quatro ou cinco anos consecutivos; 2. FertilidadeOs n√≠veis de fertilidade nos solos s√£o crescentes ap√≥s a aplica√ß√£o 3. RendimentoA produtividade mostra-se equivalente ou superior √†s obtidas pela fertiliza√ß√£o convencional (em alguns casos, o rendimento pode ser at√© 30% superior); 4. CrescimentoAs ra√≠zes das plantas s√£o mais desenvolvidas do que nas plantas que recebem a aduba√ß√£o qu√≠mica; 5. √ĀguaO teor de umidade √© maior nas √°reas onde se aplicam os remineralizadores, mostrando que os mesmos possuem grande capacidade de reten√ß√£o de √°gua; 6. Exuber√ĘnciaAs plantas apresentam maior quantidade de massa verde e s√£o mais exuberantes; 7. Produ√ß√£oH√° acelera√ß√£o do ciclo produtivo da planta em alguns casos; 8. Meio ambienteN√£o ocorre contamina√ß√£o ou eutrofiza√ß√£o (polui√ß√£o devido ao excesso de algas que deixa a √°gua turva e provoca morte de animais) dos recursos h√≠dricos; 9. Org√ĘnicoAtende aos padr√Ķes de garantias exigidos de insumos utilizados pela agricultura org√Ęnica. Para que serve esse tal pot√°ssio?O dado de que o Brasil √© o quarto maior importador de NPK do mundo pode n√£o significar muita coisa para boa parte dos brasileiros. Afinal, como isso afeta a vida de quem v√™ o p√£ozinho na padaria cada vez mais caro? Pois as duas coisas – a alta nos pre√ßos de produtos agr√≠colas e importa√ß√£o de NPK ‚ÄĒ tem tudo a ver. A sigla que mais parece o nome de um bra√ßo da S.H.I.E.L.D., ag√™ncia governamental fict√≠cia do universo Marvel, faz refer√™ncia ao trio de macronutrientes nitrog√™nio-f√≥sforo-pot√°ssio. Esses compostos s√£o bastante usados na agricultura para a nutri√ß√£o do solo num processo chamado fertiliza√ß√£o qu√≠mica. E √© para essa mistura que o Brasil precisa de pot√°ssio. A produ√ß√£o desse macronutriente no pa√≠s se restringe a uma s√≥ mina localizada em Sergipe. Com a vida √ļtil j√° chegando ao fim, a mina abastece apenas 4% da demanda nacional. Os outros 96% s√£o importados. “Para esse modelo de agricultura que temos no Brasil envolvendo a produ√ß√£o de commodities para exporta√ß√£o, o pot√°ssio √© muito importante, j√° que esses produtos demandam uma ‘recarga’ do solo”, explica a ge√≥loga Suzi Huff Theodoro. O pa√≠s √© campe√£o em produ√ß√£o e exporta√ß√£o de soja, por exemplo, uma commodity, ou seja, um produto b√°sico n√£o industrializado. “Nos acostumamos a escutar que os solos tropicais, que representam grande parte do nosso pa√≠s, s√£o solos pobres. Mas que pobreza √© essa? Se voc√™ considerar o plantio da soja, o solo √© pobre, mas, por outro lado, a gente sustenta a floresta mais exuberante do planeta, o que mostra que o nosso solo tamb√©m √© rico”, comenta Theodoro. Estamos todos conectadosSe tudo posto at√© agora j√° n√£o fosse complexo o suficiente, as san√ß√Ķes econ√īmicas impostas √† R√ļssia ap√≥s a invas√£o da Ucr√Ęnia tamb√©m atingiram o Brasil, mesmo o pa√≠s estando fisicamente distante do conflito. “A decis√£o das maiores empresas mundiais de log√≠stica mar√≠tima de suspenderem suas opera√ß√Ķes de transporte de mercadorias, de e para a R√ļssia, dever√° ampliar as dificuldades que o com√©rcio exterior brasileiro ter√° at√© que a guerra contra a Ucr√Ęnia seja superada”, explica a nota da Associa√ß√£o Brasileira do Agroneg√≥cio. O grupo alerta: “isso trar√° s√©rias consequ√™ncias √† produ√ß√£o e custo dos alimentos, tanto para atender a demanda do mercado interno quanto √†s nossas not√°veis exporta√ß√Ķes de commodities agr√≠colas”. Tudo isso fora o comando de suspens√£o de exporta√ß√£o de pot√°ssio. Uma das justificativas

Estresse calórico em bovinos gera queda de produtividade

Nos √ļltimos dias, a onda de calor extremo, tem preocupado os produtores brasileiros. Diversos ve√≠culos de informa√ß√£o noticiaram a perca de lavouras e galinhas em v√°rias regi√Ķes do Brasil, e com os rebanhos de bovinos n√£o √© diferente. O estresse cal√≥rico √© definido por Silva (2000) como, a for√ßa exercida pelos componentes do ambiente t√©rmico sobre um organismo, causando nela uma rea√ß√£o fisiol√≥gica proporcional √† intensidade da for√ßa aplicada e a capacidade do organismo em compensar os desvios causados pela for√ßa.O termo estresse pode ser aplicado a qualquer mudan√ßa ambiental suficientemente severa para introduzir respostas que afetam a fisiologia, comportamento e produ√ß√£o dos animais. O estresse t√©rmico em vacas leiteiras, por exemplo, ocorre quando a taxa de ganho de calor do animal excede a de perda, fazendo com que o mesmo saia de sua zona de conforto. Desta forma, s√£o necess√°rios ajustes no comportamento e/ou fisiologia do animal.Esse estresse cal√≥rico, especialmente nas regi√Ķes tropicais, consiste em uma importante fonte de perda econ√īmica na pecu√°ria, tendo efeito adverso sobre a produ√ß√£o de leite, produ√ß√£o de carne, fisiologia da produ√ß√£o, reprodu√ß√£o, mortalidade de bezerros e sa√ļde do √ļbere.Como identificar animal com estresse t√©rmico‚ÄĘ Diminui√ß√£o na produ√ß√£o de leite de 10 a 20%‚ÄĘ Frequ√™ncia respirat√≥ria acima de 80 movimentos por minuto em 70% dos animais do lote‚ÄĘ Temperatura retal maior que 39,2¬ļC em 70% dos animais do lote ou acima de 39¬ļC por mais de 16 horas seguidas‚ÄĘ Redu√ß√£o de pelo menos 10 a 15% na ingest√£o de alimentos‚ÄĘ Aumento do consumo de √°gua Como reduzir o estresse cal√≥rico em bovinos?Garantir uma dieta de acordo com as necessidades nutricionais do animal, e adapt√°-la quando poss√≠vel para reduzir a produ√ß√£o de calor metab√≥lico, por exemplo, s√£o formas de promover o bem-estar.Outra forma mais simples √© prover aos animais um abrigo, ou seja, garantir espa√ßos com sombra para que eles possam se proteger e evitar o contato direto com a radia√ß√£o solar.O sombreamento de √°rea pode ser tanto natural, composto por vegeta√ß√£o, quanto artificial, com a constru√ß√£o de sombrite de no m√≠nimo 80% de reten√ß√£o da radia√ß√£o (coberturas normalmente feitas com redes pl√°sticas ou telas de polietileno). Essa t√°tica reduz a incid√™ncia dos raios solares sobre os animais, mas √© insuficiente para regularizar a temperatura corporal, caso se mantenham as condi√ß√Ķes clim√°ticas e atmosf√©ricas adversas. Assim, outra op√ß√£o √© investir em aspersores de √°gua e ventila√ß√£o autom√°tica sempre que poss√≠vel, pois s√£o capazes de reduzir bastante os efeitos do calor sobre os animais.Tome nota | Animais em estresse t√©rmico apresentam respira√ß√£o ofegante, boca aberta e l√≠ngua para fora na tentativa de trocar calor com o ambiente.Levar em considera√ß√£o os efeitos das altas temperaturas, na hora de elaborar as melhores estrat√©gias de manejo, √© um dos detalhes que caracterizam o bom produtor.Uma op√ß√£o, na redu√ß√£o do estresse t√©rmico em bovinos, seria adotar o sistema Silvipastoril, que al√©m de sustent√°vel, por integrar pastagem com arboriza√ß√£o, tamb√©m, pode servir como forma alternativa de renda para o produtor, com a produ√ß√£o de madeira ou fornecimento de frutas. Por: Boi a Pasto

Nutrição de rebanho: Como escolher a ração apropriada para o seu gado?

Escolher a melhor ra√ß√£o est√° entre os pontos cruciais que far√° toda a diferen√ßa garantindo a qualidade do produto final Muito do que vai definir a qualidade da carne que ser√° comercializada, tem in√≠cio na alimenta√ß√£o do gado. Uma alimenta√ß√£o rica em nutrientes, e com produtos de alta qualidade reflete no resultado final da carne e do leite como produto. A alimenta√ß√£o do rebanho ocupa um grande espa√ßo na produ√ß√£o como um todo; e escolher a melhor ra√ß√£o est√° entre os pontos cruciais que far√° toda a diferen√ßa garantindo a qualidade do produto final que √© a carne ou o leite. As melhores pr√°ticas de alimenta√ß√£o de bovinos come√ßam com um bom planejamento, assim como qualquer outro neg√≥cio. √Č preciso estabelecer as metas e quais caracter√≠sticas se deseja encontrar no produto final, (teor de gordura no leite, maciez da carne, por exemplo). Feito isso, √© preciso fazer uma sele√ß√£o criteriosa dos alimentos, avaliando os atributos e a qualidade da mat√©ria-prima, e garantindo tamb√©m sua correta armazenagem. Sabe-se que o uso de suplementa√ß√£o concentrada √© essencial √† medida que o manejo do pasto √© menos intensivo, tendo em vista que o valor nutricional da forragem diminui. Na esta√ß√£o seca, per√≠odo em que h√° menor crescimento do pasto, a suplementa√ß√£o volumosa tamb√©m √© necess√°ria. E por fim, quando o rebanho √© de vacas leiteiras, de alta produ√ß√£o, faz-se tamb√©m necess√°rio √† suplementa√ß√£o, mesmo quando o pasto √© vasto e de boa qualidade. O que a composi√ß√£o da ra√ß√£o animal deve atender? Produtores e t√©cnicos que trabalham ligados ao setor de sa√ļde, se preocupam com a composi√ß√£o da ra√ß√£o animal, mas no fim n√£o existe uma f√≥rmula espec√≠fica que atenda a todos os casos. Embora n√£o haja uma composi√ß√£o √ļnica que garanta desempenho para a produ√ß√£o animal, podemos dizer que existe sim um padr√£o. Uma linha que faz sentido quando o assunto √© desempenho. O que procurar nas ra√ß√Ķes para gado Nutrientes! Esse √© o primeiro ponto a ser considerado ao escolher a ra√ß√£o para seu gado. Pois a fase da engorda dos bovinos precisa de todos os nutrientes necess√°rios para se chegar ao ponto ideal. As ra√ß√Ķes para gado, que mais trazem benef√≠cios s√£o aquelas com valor nutricional elevado. Os melhores ingredientes para compor as ra√ß√Ķes s√£o: ‚ÄĘ Farelo de soja;‚ÄĘ Milho integral mo√≠do;‚ÄĘ Sal comum;‚ÄĘ Ur√©ia pecu√°ria; Com uma ra√ß√£o de alta qualidade e rica com tudo aquilo que o que seu rebanho mais necessita, o produtor garante a sa√ļde dos animais e a qualidade do corte final ou do leite n√£o ser√° afetada de forma negativa. Como voc√™ pode perceber ao final dessa pequena an√°lise, nutri√ß√£o do gado deve ser um dos grandes focos na cadeia produtiva. Ap√≥s a execu√ß√£o das estrat√©gias do seu negocio, √© fundamental fazer o balan√ßo da produ√ß√£o para, ent√£o, alterar as t√°ticas ou prosseguir com elas. Assim, se garante uma produ√ß√£o de alimentos seguros e com as qualidades que atendam aos interesses do mercado. √Č claro que al√©m de ra√ß√£o de qualidade o seu rebanho tamb√©m precisar√° de pasto e √°gua adequados, mas isso √© assunto para outro dia. Este conte√ļdo foi elaborado a partir de uma curadoria sobre nutri√ß√£o de bovinos. Reda√ß√£o ‚Äď Boi a Pasto

Agronegócio x Meio Ambiente

PODEMOS ACABAR COM A FOME SEM ACABAR COM O PLANETA? Por Marisa Rodrigues – Jornalista A Degrada√ß√£o da natureza visando o aumento na produ√ß√£o de alimentos de um lado, com o planeta chegando a mais de 7,5 bilh√Ķes de pessoas, e de outro, o aumento da fome, principalmente na √Āfrica Subsaariana, √Āsia, Oceania, √Āfrica, entre outros, traz uma quest√£o a se considerar. Como produzir mais alimentos sem prejudicar ainda mais o meio ambiente? Esse cen√°rio coloca os pa√≠ses em uma situa√ß√£o conflitante. De um lado t√™m que produzir mais, para vencer a fome, que se alastra pelo planeta e de outro, n√£o pode mais desmatar para aumentar as √°reas de plantio, pois o planeta est√° numa rota, cada vez mais acelerada de autosuic√≠dio. Nos √ļltimos anos, o planeta produz at√© o m√™s de agosto tudo o que dever√≠amos produzir em um ano. Isto √©, todos os anos temos ficado em d√©ficit com a Terra, que n√£o consegue mais repor essa diferen√ßa para come√ßar o ano seguinte, zerada, no azul. Nossa Terra √© azul, mas h√° muito tempo os homens t√™m causado, em nome do capitalismo selvagem, uma  devasta√ß√£o sem precedentes, o que ocasionou as mudan√ßas clim√°ticas, que por sua vez, s√£o uma resposta do planeta para tentar se proteger e sobreviver a este massacre. Ainda que isso custe a vida da humanidade como a conhecemos. Est√° claro que os n√ļmeros de produ√ß√£o de alimentos s√£o enormes, por√©m maior ainda √© o n√ļmero de pessoas passando fome no mundo. Em apenas um ano, esse n√ļmero na Am√©rica Latina aumentou em 13,8 milh√Ķes, de 45,9 milh√Ķes para 59,7 milh√Ķes, segundo o Panorama Regional de Seguran√ßa Alimentar e Nutricional 2021, da ONU. Isso equivale a 9,1% da popula√ß√£o da Am√©rica Latina e do Caribe – √© a maior preval√™ncia da fome dos √ļltimos 15 anos. Diante desse quadro, algo pode ser feito para mudar o rumo? A boa not√≠cia √© que o sistema alimentar global est√° amadurecendo para mudan√ßas e quem era visto como a maior amea√ßa √† natureza pode se tornar sua melhor aliada. At√© o momento, a agricultura e o meio ambiente t√™m sido vistos como antagonistas.  O pensamento at√© agora tem sido que alguns danos ambientais s√£o uma contrapartida infeliz, mas necess√°ria para aumentar a produ√ß√£o de alimentos e nutrir a humanidade e nada pode se fazer contra isso. Mas as coisas n√£o precisam ser assim, hoje j√° sabemos como alimentar uma popula√ß√£o crescente sem destruir o planeta. Mas precisamos pensar al√©m disso, queremos n√£o s√≥ produzir mais, mas reduzir os danos. Precisamos investir em um sistema alimentar que restaure a natureza em vez de esgot√°-la. Todo desafio √© uma oportunidade de crescimento A produ√ß√£o de alimentos alterou nosso planeta mais do que qualquer outra atividade humana. Ela √© respons√°vel por 24% das emiss√Ķes de efeito estufa e 70% do uso total de √°gua doce; √© talvez a maior causa da perda da biodiversidade no mundo, al√©m disso a produ√ß√£o de alimentos tamb√©m √© a causa de 80% da perda global de habitat, uma tend√™ncia que est√° acelerando a cada dia. Com certeza os n√ļmeros n√£o s√£o animadores, por√©m uma amea√ßa crescente, pode se tornar uma oportunidade ainda maior. Por essas raz√Ķes que a preserva√ß√£o do meio ambiente √© um dos pilares do agroneg√≥cio nos dias atuais. Al√©m de ser mais rent√°vel ao produtor, os pa√≠ses compradores exigem essa medida mais ecol√≥gica. Segundo  o chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Morandi: ‚ÄúAgricultura e a conserva√ß√£o do meio ambiente andam juntos. A boa produ√ß√£o de alimentos depende desses servi√ßos que a natureza nos oferece, como um bom regime de chuvas, controle biol√≥gico, fertilidade do solo e controle de pragas. Tudo isso √© que faz a produ√ß√£o agr√≠cola acontecer. O bom agro n√£o √© predador, ele √© parceiro da natureza‚ÄĚ. S√≥ no Brasil s√£o mais de 180 milh√Ķes de hectares de  pastos e setenta por cento disso est√£o com algum tipo de degrada√ß√£o. E √© pensando nisso que a sociedade agr√≠cola hoje disp√Ķe de v√°rias t√©cnicas e tecnologias para que seu neg√≥cio ande de bra√ßos dados com a preserva√ß√£o do meio. Dentre esses podemos destacar: Novas metodologias: Forma de atingir conhecimento ou resultado. Nesta categoria est√£o m√©todos de an√°lise, procedimentos de laborat√≥rio, formas de diagn√≥stico, m√©todos de pesquisa, entre outros. Como por exemplo o mapeamento digital de solos e Equa√ß√Ķes para predi√ß√£o de emiss√£o de metano ent√©rico de ruminantes criados em condi√ß√Ķes tropicais Novos servi√ßos: de natureza de pesquisa ou de transfer√™ncia de tecnologia, oferecidos pela Embrapa √† sociedade, como treinamentos, capacita√ß√Ķes, an√°lises e monitoramentos. Podemos citar o Centro de Intelig√™ncia e Mercado de Caprinos e Ovinos (Plataforma CIM) e Planilhas para estimativa da necessidade h√≠drica e manejo da irriga√ß√£o de videiras. Novos produtos: S√£o as solu√ß√Ķes tecnol√≥gicas de natureza f√≠sica e digital, como softwares, aplicativos, cultivares (sementes e mudas), animais, m√°quinas, equipamentos, bebidas, fertilizantes, vacinas e outros. Alguns exemplos s√£o o SisILPF_Cedro – Software para manejo do componente florestal de ILPF – Cedro-australiano e o SisILPF_Elliottii – Software para manejo do componente florestal de ILPF – Pinus elliottii Novos processos: S√£o os procedimentos para gera√ß√£o de produtos, como processos para obten√ß√£o de embalagens, alimentos, bebidas, ra√ß√Ķes, produtos qu√≠micos, biol√≥gicos, industriais e mais. Como os Imunoestimulantes em ra√ß√Ķes para peixes e o Beneficiamento da casca de coco verde para a produ√ß√£o de fibra e p√≥. Novas Pr√°ticas agropecu√°ria: S√£o t√©cnicas de produ√ß√£o agropecu√°ria e de manejo de recursos naturais, como aduba√ß√£o, plantio, controle de doen√ßas e pragas, conserva√ß√£o de solo e √°gua, entre outros. Alguns exemplos s√£o o uso do amendoim forrageiro (Arachis pintoi cv. Belomonte) em pastagens consorciadas com gram√≠neas no Acre e a manuten√ß√£o e recupera√ß√£o de pastagens, e as t√©cnicas de manejo de pastos para a obten√ß√£o de maiores produtividades sem que haja aumento de territ√≥rio de plantio. Novos sistemas: S√£o conjuntos de pr√°ticas de manejo para produ√ß√£o vegetal ou animal. Inclui sistemas de cria√ß√£o, sistemas de produ√ß√£o em rota√ß√£o, sucess√£o ou consorcia√ß√£o, sistemas integrados e outros. Como por exemplo Sistemas modulares para produ√ß√£o de plantas irrigadas com √°gua salobra e Sistema de produ√ß√£o