julho 7, 2026

Capim-açu e moringa são alternativas para alimentar rebanho durante estiagem em RR

Zootecnista da Universidade Federal orienta produtores a planejar estocagem com antecedência. Oferta de água e sombra protege animais de estresse térmico em período seco.

Plantas como capim-açu garantem nutrição de bovinos no período seco em Roraima, diz especialista da UFRR.

Com a previsão de queda no volume de chuvas e a aproximação da estiagem em Roraima, os produtores rurais precisam iniciar o planejamento para manter a produção. O manejo nutricional dos rebanhos exige cuidados diante da falta de água.

O zootecnista Jalison Lopes, responsável pelo setor de bovinocultura do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Federal de Roraima (UFRR), explica as alternativas para a produção de silagem e a estocagem de alimentos para o período.

Uma das opções é o capim-açu. A forrageira é fonte de proteína para os animais e chega a oferecer até 15% do nutriente com as técnicas de manejo.

“Quando [o capim-açu] apresenta 120 dias de crescimento, pode ser utilizado para a silagem, porque contém volume de massa. Se eu colher dias antes, não vai ter o volume desejado”, explica o professor.

Outra alternativa em estudo no CCA é o uso da moringa. A planta complementa a dieta do rebanho e contribui para a oferta de nutrientes na escassez de forragem. “O teor de proteína é a vantagem. As folhas contêm um teor de até 30% e é um alimento que pode substituir o farelo de soja na dieta do rebanho”, afirma Lopes.

Além da produção de forrageiras, o zootecnista destaca a antecipação ao período seco com a estocagem de alimentos — silagem, feno e pré-secado — para garantir a alimentação nos meses de pastagem escassa.

“É nessa época que o produtor deve fazer a estocagem. É preciso planejar com antecedência para adquirir os insumos e formular a dieta”, completa o professor.

A estiagem também eleva as temperaturas. Por isso, oferecer sombra e água faz parte das medidas para reduzir os impactos do calor.

O estresse térmico reduz o consumo de alimento pelos animais, compromete o ganho de peso e afeta a produtividade das fazendas. “Ocorre um aumento na produção do hormônio cortisol. Com isso, o gado fica mais sujeito a doenças oportunistas”, explica o especialista.

Calendário sanitário

Sobre o calendário sanitário, Lopes orienta que não há um cronograma único para Roraima. A recomendação é monitorar as doenças endêmicas da região para definir, por ano, as vacinas aplicadas ao rebanho.

Em algumas situações, o planejamento inclui a redução do número de animais. A medida busca adequar a lotação à capacidade de oferta de alimento, para evitar perdas de desempenho e prejuízos.

“O produtor pode se desfazer do excedente de gado que não precisa manter. É uma época em que reduzimos o plantel para diminuir a necessidade de fornecimento de alimentos”, conclui.

Centro de Ciências Agrárias

O trabalho no CCA integra a formação de estudantes da UFRR. Os alunos participam do manejo diário do rebanho, acompanham os cuidados com a alimentação e a sanidade dos animais, além de desenvolver atividades de pesquisa e extensão.

O setor recebe estagiários de diferentes cursos e instituições. A iniciativa proporciona vivência na produção animal e aproxima os estudantes da realidade do campo.

Por Lucas Almeida, Amazônia Agro — G1

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