Expansão dos biocombustíveis e do processamento de grãos deve aumentar a oferta de coprodutos e cereais para formulação de rações, dando mais flexibilidade ao pecuarista na gestão dos custos.

A alimentação dos bovinos deve contar com uma oferta mais diversificada de ingredientes nos próximos anos no Brasil. A expansão do DDG, do farelo de soja e do sorgo tende a ampliar as possibilidades de formulação das dietas e pode ajudar os pecuaristas a reduzir a exposição às oscilações de preços das matérias-primas.
A perspectiva faz parte de estudo do RaboResearch, área de pesquisa e análise do Rabobank voltada ao agronegócio e ao mercado de alimentos. Segundo a análise, o movimento está relacionado principalmente à expansão da produção de biocombustíveis e ao aumento do processamento de grãos no país.
A diversificação ganha importância especialmente nos confinamentos, onde a alimentação representa entre 70% e 80% dos custos operacionais, conforme o estudo. Ter mais ingredientes disponíveis permite ajustar as formulações de acordo com preços, oferta regional e necessidades nutricionais dos animais.
Mais farelo de soja disponível
Um dos ingredientes que deve ganhar oferta é o farelo de soja. O RaboResearch estima que o esmagamento da oleaginosa possa alcançar cerca de 69 milhões de toneladas, resultando em aproximadamente 5 milhões de toneladas adicionais de farelo em comparação com 2025.
Parte desse crescimento está associada à expansão do mercado de biocombustíveis. A Lei do Combustível do Futuro prevê a elevação gradual da mistura de biodiesel ao diesel, podendo chegar a 20% até 2030.
Como o óleo de soja é uma das principais matérias-primas utilizadas na fabricação de biodiesel no país, o maior processamento da oleaginosa também gera volumes adicionais de farelo, que podem ser direcionados à alimentação animal.
DDG avança com etanol de milho
Outro ingrediente que ganha espaço nas dietas de bovinos é o DDG, sigla em inglês para grãos secos de destilaria. O coproduto é obtido no processamento do milho para fabricação de etanol e pode ser utilizado como fonte de proteína e energia na alimentação animal.
Com a expansão das usinas de etanol de milho no Brasil, a disponibilidade desse ingrediente vem crescendo. Segundo o estudo, a oferta de DDG avançou, em média, 21% ao ano nos últimos cinco anos e pode atingir 8 milhões de toneladas em 2031.
O aumento do volume disponível pode ampliar as alternativas para confinadores e fábricas de ração, principalmente em regiões próximas às unidades produtoras de etanol de milho.
A possibilidade de substituir ou complementar ingredientes tradicionais permite que as dietas sejam ajustadas conforme as relações de preços e a disponibilidade regional das matérias-primas.
Sorgo pode alcançar 10 milhões de toneladas
O sorgo também aparece como alternativa para ampliar a flexibilidade na alimentação dos bovinos. A produção brasileira do cereal pode passar de mais de 6 milhões de toneladas na safra 2025/26 para 10 milhões de toneladas em 2031, conforme as projeções apresentadas pelo RaboResearch.
Na alimentação animal, o sorgo pode substituir parte do milho em determinadas formulações, dependendo das características nutricionais, dos preços e da disponibilidade do cereal em cada região.
A expansão da produção, portanto, pode representar mais uma alternativa para propriedades e confinamentos localizados em regiões onde o sorgo apresenta boa competitividade em relação ao milho.
Diversificação não significa ração mais barata
Apesar das perspectivas de maior oferta, a diversificação dos ingredientes não significa necessariamente redução automática no preço das rações. O custo final depende de fatores como frete, localização das unidades produtoras, disponibilidade regional, demanda das indústrias de alimentação animal e comportamento das exportações.
O principal efeito esperado é uma maior flexibilidade para formular as dietas. Em períodos de valorização de determinado ingrediente, a disponibilidade de alternativas pode permitir substituições e ajustes que ajudem a controlar o custo da alimentação sem comprometer o desempenho dos animais.
Essa possibilidade é especialmente relevante para os confinamentos, considerando o peso da dieta nas despesas operacionais.
Alimentação entra na estratégia de competitividade
O aumento da disponibilidade de grãos e coprodutos também pode ter reflexos sobre a competitividade da pecuária brasileira. Segundo os dados apresentados no estudo, o Brasil responde por aproximadamente 15% da produção mundial de carne bovina e por mais de 22% das exportações globais.
Nesse cenário, ampliar as opções de ingredientes para alimentação pode contribuir para uma gestão mais eficiente dos custos e reduzir a dependência de poucas matérias-primas.
Até 2031, o avanço do DDG, do farelo de soja e do sorgo tende a tornar a formulação das dietas mais diversificada. Para o pecuarista, mais do que garantir ração barata, essa transformação pode significar maior capacidade de escolher ingredientes de acordo com o mercado e administrar um dos principais componentes do custo da terminação intensiva.
Fonte: Deuseane Queiroz / Agro Em Campo
Curadoria: Marisa Rodrigues para o portal Boi a Pasto






