setembro 15, 2026

Brasil pode atender até 40% da nova demanda dos EUA por carne bovina

País pode embarcar entre 90 mil e 120 mil toneladas adicionais para o mercado norte-americano; oferta mais restrita de animais também sustenta expectativa de preços firmes para o boi gordo no fim do ano.

O Brasil pode responder por 30% a 40% das 300 mil toneladas adicionais de carne bovina demandadas pelos Estados Unidos, o equivalente a um volume entre 90 mil e 120 mil toneladas. A estimativa é de Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado.

Segundo Iglesias, as regras de elegibilidade adotadas pelos Estados Unidos colocam o Brasil em posição favorável para atender parte dessa demanda, concentrada principalmente em carne magra e trimmings — aparas utilizadas, entre outras finalidades, na produção de hambúrgueres.

Estamos falando de 30% a 40%, então de 90 mil a 120 mil toneladas no melhor cenário. São volumes interessantes para o Brasil”, afirma.

Brasil pode ganhar espaço no mercado americano

Tradicionais fornecedores dos Estados Unidos, como Argentina, Austrália, Uruguai e Nova Zelândia, possuem cotas próprias e, segundo Iglesias, não devem disputar diretamente com o Brasil todo o volume adicional.

Entre os países que podem concorrer por esse espaço estão Paraguai e nações da América Central. A capacidade de exportação desses mercados, porém, é menor que a brasileira, o que, na avaliação do analista, favorece o Brasil.

A oportunidade não significa que todo o volume potencial será necessariamente ocupado pelos frigoríficos brasileiros. A indústria ainda precisa avaliar a viabilidade econômica das operações.

Um dos pontos considerados é que os produtos procurados pelos Estados Unidos representam apenas uma parcela da carcaça bovina. Além disso, os preços firmes do boi gordo no mercado doméstico também entram na conta dos frigoríficos na hora de avaliar as exportações.

EUA ganham importância com redução das compras chinesas

A maior demanda norte-americana ocorre em um momento de redução das compras de carne bovina brasileira pela China.

Nesse cenário, os Estados Unidos podem ajudar a absorver parte do produto que deixa de ser destinado ao mercado chinês. Iglesias ressalta, no entanto, que a demanda norte-americana não seria suficiente para substituir integralmente a China.

Ajuda muito nesse momento em que a China está comprando menos carne brasileira, mas não substitui integralmente a China”, explica.

Segundo o analista, em agosto os Estados Unidos chegaram a superar a China nas compras de carne bovina brasileira. Enquanto a demanda chinesa permanecer em ritmo menor, o mercado norte-americano tende a ganhar participação entre os destinos da carne brasileira.

Menor oferta de animais sustenta mercado do boi gordo

Apesar da maior demanda dos Estados Unidos, Iglesias avalia que o principal fator de sustentação dos preços da arroba continua sendo a mudança do ciclo pecuário brasileiro.

A expectativa de menor disponibilidade de animais para abate no segundo semestre tende a manter o mercado físico sustentado.

No curto prazo, o analista avalia que as cotações permanecem firmes, mas ainda sem uma trajetória consistente de fortes valorizações. No mercado futuro, por outro lado, os avanços têm ocorrido com maior frequência.

Arroba pode alcançar preços recordes no fim do ano

Para novembro e dezembro, a perspectiva apresentada pelo analista é mais favorável ao pecuarista. O cenário combina menor oferta de animais para abate, crescimento sazonal do consumo interno e maior demanda externa.

As compras dos Estados Unidos podem reforçar esse movimento. Iglesias também considera a possibilidade de retomada da demanda chinesa, já com o mercado atento à cota de 2027.

Nos últimos dois meses do ano, ainda temos a perspectiva de preços recordes para a arroba do boi gordo”, afirma.

A combinação entre oferta mais restrita de gado e demanda aquecida, portanto, pode aumentar a sustentação das cotações no último bimestre. Segundo Iglesias, porém, parte dessa expectativa aparece de forma mais clara no mercado futuro e ainda não foi incorporada com a mesma intensidade aos preços do mercado físico.

Fonte: Hildeberto Jr. / Canal Rural
Curadoria: Camila Gusmão para o portal Boi a Pasto

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