A importância das técnicas de conservação de forragens
Especial Mudanças Climáticas – Por Equipe Boi a Pasto

As enchentes no Rio Grande do Sul causaram impactos severos na cadeia leiteira há pouco mais de dois anos. As chuvas extremas devastaram propriedades, mataram milhares de animais e destruíram a infraestrutura essencial para a produção, como galpões, salas de ordenha, pastagens e tanques, representando um golpe severo para muitas famílias, que antes das enxurradas enfrentaram severas estiagens por três anos seguidos. Por outro lado, a maior tragédia climática do estado mostrou como a ensilagem e a fenação ajudaram os criadores gaúchos a driblar a falta de alimentos para criação de animais.
A modalidade apresenta vantagens como as pequenas alterações no seu valor nutritivo e por existir uma diversificada quantidade de espécies de forrageiras que podem ser utilizadas para esse princípio, como trigo, cevada, triticale, aveia, centeio ou azevém, além de gramíneas perenes como o Tifton 85 e a Jiggs “A produção de feno dentro da própria propriedade tem avançado no campo como alternativa para pecuaristas que buscam reduzir custos, garantir alimentação de qualidade ao rebanho e aumentar a previsibilidade ao longo do ano”, afirma o coordenador de Marketing de Produto da Massey Ferguson, Marcelo Pupin. “O que antes era visto apenas como uma reserva para períodos de escassez de pastagem hoje faz parte do planejamento estratégico de muitas propriedades rurais”, acrescenta,
O especialista salienta que a alimentação animal representa uma das principais despesas da pecuária. “Ao depender da compra de terceiros, o produtor fica sujeito à disponibilidade do produto, aos custos de transporte e às oscilações de preço do mercado. Produzir o próprio feno permite maior autonomia e contribui para uma gestão financeira mais eficiente”, afirma.

Além da economia, a prática oferece mais controle sobre a qualidade do alimento fornecido ao rebanho. “O acompanhamento de todas as etapas da produção, desde o desenvolvimento da forrageira até a colheita e o armazenamento, contribui para um produto mais uniforme e adequado às necessidades nutricionais dos animais”, destaca o especialista.
Outro fator que impulsiona esse movimento é a necessidade de maior segurança diante das mudanças climáticas. Períodos de seca prolongada ou chuvas fora de época podem comprometer diretamente a disponibilidade de pastagem. “O clima está cada vez mais imprevisível e isso impacta diretamente a disponibilidade de pastagem. Ter uma reserva produzida dentro da fazenda traz mais segurança para enfrentar períodos de seca ou irregularidade nas chuvas”, assinala Pupin.
A tecnologia também tem desempenhado papel importante no avanço da atividade. O processo de produção de feno exige precisão em etapas como corte da forrageira, secagem, formação das leiras e enfardamento. Equipamentos desenvolvidos para essas operações permitem mais agilidade e melhor aproveitamento das condições climáticas, reduzindo perdas e aumentando a qualidade final do produto.
O especialista destaca que a evolução dos equipamentos tornou o processo mais eficiente e acessível. “A qualidade do feno depende muito do momento correto de cada operação. Hoje existem tecnologias que ajudam o produtor a ganhar agilidade, aproveitar melhor a janela climática e reduzir perdas durante o processo”, comenta.

Além do uso interno, a produção de feno pode se transformar em uma fonte complementar de renda. Em diversas regiões do país, a procura pelo produto tem aumentado, especialmente entre criadores de equinos, bovinos e pequenos ruminantes. “Quando o produtor consegue ter uma produção acima da demanda interna, a comercialização dos fardos passa a ser uma fonte complementar de renda”, completa.
Socorro durante as enchentes
As enchentes no Rio Grande do Sul causaram impactos severos na cadeia leiteira há dois anos. As chuvas extremas devastaram propriedades, mataram milhares de animais e destruíram a infraestrutura essencial para a produção, como galpões, salas de ordenha, pastagens e tanques, representando um golpe severo para muitas famílias, que antes das enxurradas enfrentaram severa estiagem por três anos seguidos. A Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) estima que a catástrofe climática tenha impactado de 40% a 50% dos produtores de leite do Estado.
Durante e após esses desastres, a entidade organizou forças-tarefa e mobilizou esforços para cadastrar propriedades ilhadas, evitar a perda de animais e distribuir alimentos essenciais, como feno, silagem e ração para propriedades que ficaram sem acesso a pastagens e insumos.
Produtores de diversos estados do Brasil atenderam o pedido de socorro da associação e enviaram não apenas alimentos para os animais, mas também alento e alívio a produtores de leite dos vales do Rio Pardo e Taquari e da Quarta Colônia, as regiões mais afetadas pelas chuvas extremas que causaram a morte de ao menos 185 pessoas e um rombo de R$ 25,5 bilhões no agronegócio gaúcho. A Emater/Ascar-RS fez um levantamento para ver quem eram os produtores mais afetados para organizar a rede de distribuição, feita pela Seapi-RS.
Foram distribuídas bolas de 500 quilos cada, de pasto pré-secado, feno e silagem, na maioria das vezes, mas também ração para gado de leite, aveia preta, ração para suínos e para equinos. “Foram cerca de 300 caminhões com doações de alimentos”, lembra Tang. “As doações vieram de parte do Rio Grande do Sul e de outros estados como Goiás, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, entre outros”, recorda o dirigente. “Quem não pode enviar alimentos ajudou com os fretes. Foi uma grande mobilização”, acrescenta.

Benefícios da fenação
– Praticidade e Autonomia: O feno é fácil de transportar, armazenar e distribuir no cocho.;
– Nutrição e Mastigação: Produz um alimento volumoso rico em fibras. É altamente recomendado para cavalos, pois promove maior mastigação e ajuda a evitar problemas gástricos;
– Baixa Dependência de Aditivos: Como o processo ocorre por desidratação natural (reduzindo a umidade para cerca de 10 ÷ 15%), dispensa silos fechados e aditivos de fermentação.

Benefícios da Ensilagem
– Independência Climática: O processo pode ser realizado mesmo em épocas chuvosas, já que a planta não precisa secar totalmente no campo;
– Maior Densidade Energética: Requer menos espaço de armazenagem, por unidade de matéria seca, do que a fenação. O método permite armazenar grandes quantidades de massa em um espaço menor. A silagem de milho, por exemplo, possui alto valor energético;
– Alta Palatabilidade: Devido ao processo de fermentação e produção de ácido lático, o alimento é muito bem aceito pelos animais;
– Permite a manutenção de um maior número de animais.
Especial Mudanças Climáticas – Por Equipe Boi a Pasto






