Conab prevê avanço da recomposição do rebanho, queda de 3,6% na produção de carne bovina e crescimento de 2,2% nas exportações no próximo ano

A produção brasileira de carne bovina deverá recuar 3,6% em 2027, influenciada pela menor disponibilidade de animais para abate e pelo avanço da retenção de fêmeas para recomposição do rebanho. A projeção é da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que estima uma produção de 11,4 milhões de toneladas no próximo ano.
Caso a previsão se confirme, será o segundo ano consecutivo de redução. Segundo os números da estatal, o Brasil produziu 11,9 milhões de toneladas de carne bovina em 2025 e a estimativa para 2026 é de 11,84 milhões de toneladas.
“Para 2027, a expectativa é de redução mais perceptível da disponibilidade de animais, à medida que a retenção de fêmeas avançar”, apontou a Conab.
O movimento está relacionado ao ciclo pecuário. Depois de um período marcado por maior participação das fêmeas nos abates, a valorização dos bezerros e dos animais de reposição começa a criar estímulos para que os pecuaristas mantenham mais matrizes no campo.
Com menos vacas e novilhas destinadas aos frigoríficos, a oferta de animais para abate tende a diminuir, refletindo na disponibilidade de carne bovina.
Mudança no ciclo ocorre de forma gradual
A retração esperada para a produção chegou a ser projetada anteriormente, mas está ocorrendo de maneira mais lenta. De acordo com a Conab, os números observados ao longo de 2026 mostram que a mudança no ciclo pecuário ainda não se consolidou com a intensidade inicialmente prevista.
“Os resultados de 2026 indicam que a reversão do ciclo pecuário está ocorrendo de forma mais gradual do que se projetava inicialmente”, avaliou a estatal.
No primeiro semestre, o volume de abates permaneceu acima do registrado no mesmo período do ano anterior. Entre os fatores que sustentaram a produção estão a disponibilidade de fêmeas, o aumento do peso médio das carcaças e a maior participação dos animais terminados em confinamento.
Com isso, segundo a Conab, a esperada retração da produção de carne bovina ainda não ocorreu de maneira intensa em 2026.
A valorização dos bezerros e dos animais destinados à reposição, porém, já sinaliza menor oferta dessas categorias. Esse cenário tende a favorecer a retenção de matrizes e, consequentemente, diminuir a quantidade de fêmeas encaminhadas para abate.
Exportações podem chegar a 4,8 milhões de toneladas
Enquanto a produção deve diminuir, as exportações brasileiras de carne bovina podem continuar crescendo. A Conab estima avanço de 2,2% nos embarques em 2027, alcançando 4,8 milhões de toneladas.
Para 2026, a previsão é de 4,7 milhões de toneladas exportadas, acima das 4,5 milhões de toneladas registradas em 2025.
Segundo a estatal, as vendas externas tiveram desempenho positivo no primeiro semestre de 2026, tanto em volume quanto em receita. A demanda da China, os preços internacionais e a abertura de novos mercados contribuíram para sustentar os embarques.
No segundo semestre, entretanto, a expectativa é de desaceleração das vendas externas diante do preenchimento da cota chinesa de importação de carne bovina com tarifa reduzida.
Consumo interno segue moderado
No mercado doméstico, a Conab aponta que o consumo de carne bovina permanece moderado e mais concentrado nos cortes de menor valor.
A estatal avalia que a carne bovina perdeu competitividade em relação às carnes de frango e suína, principalmente entre consumidores de menor renda. Esse cenário limita a capacidade de repassar integralmente ao varejo eventuais aumentos no preço da arroba.
Ao mesmo tempo, a produção brasileira de carne de frango deverá continuar crescendo. A projeção da Conab aponta para um novo recorde de 16,7 milhões de toneladas em 2027, frente às 16,3 milhões previstas para 2026 e às 15,8 milhões de toneladas de 2025.
As exportações brasileiras de carne de frango também devem avançar no próximo ano, com crescimento estimado em 0,8%.
Para a pecuária bovina, as projeções para 2027 indicam, portanto, uma combinação de menor produção, avanço das exportações e retenção de fêmeas, fatores que deverão acompanhar a nova fase do ciclo pecuário brasileiro.
Fonte: Roberto de Lira / Info Money
Curadoria: Camila Gusmão para o portal Boi a Pasto






