setembro 17, 2026

Inteligência artificial indica hora certa de colocar e retirar o gado do pasto

Sistema utiliza imagens de drones para estimar biomassa, altura da forragem e capacidade de suporte dos piquetes, auxiliando o pecuarista nas decisões de manejo

O uso de drones combinado à inteligência artificial está ampliando as possibilidades de monitoramento das pastagens na pecuária. A partir de imagens aéreas e do processamento de dados, a tecnologia consegue avaliar características da forragem e auxiliar o produtor na definição do momento adequado para colocar ou retirar os animais de determinado piquete.

O objetivo é transformar informações sobre as condições do pasto em decisões de manejo mais rápidas e precisas. O trabalho é desenvolvido pelo zootecnista Leandro Barbero, professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), que pesquisa a aplicação da tecnologia desde 2017.

“É o olho do drone que olha o pasto, que por sua vez engorda o boi”, afirmou Barbero em entrevista ao Giro do Boi. Segundo ele, a proposta não é substituir a avaliação do produtor, mas oferecer dados que ajudem no planejamento. “A ideia é a gente trazer velocidade, trazer simplicidade e precisão para o pecuarista.”

IA analisa condições da pastagem

Durante os voos, os drones captam imagens das áreas de pastagem. O material é posteriormente processado por um software treinado com cerca de 400 mil imagens.

O sistema consegue identificar informações como biomassa disponível, altura da pastagem e ocorrência de plantas daninhas. Os dados também podem ser relacionados à localização do rebanho para auxiliar nas decisões de manejo.

Uma das principais aplicações está na definição dos períodos de ocupação e descanso dos piquetes. A inteligência artificial indica quando a quantidade e as condições da forragem permitem a entrada dos bovinos e também o momento de retirá-los para favorecer a recuperação das plantas.

“Ela diz para o pecuarista qual é o momento da entrada e qual é o momento da saída”, explicou Barbero.

Segundo o pesquisador, o sistema apresenta índice de acerto de 96% na definição do manejo. A tecnologia também consegue diferenciar componentes da vegetação e considerar a quantidade de forragem disponível para consumo dos animais, informação utilizada para auxiliar no cálculo da lotação da área.

As análises ainda levam em conta diferentes condições das pastagens, incluindo períodos de seca e fases de transição climática.

Melhor aproveitamento da forragem

O monitoramento mais preciso busca enfrentar um dos desafios da pecuária a pasto: transformar a forragem produzida em alimento efetivamente consumido pelo rebanho.

De acordo com Barbero, dados de pesquisas indicam que apenas metade do pasto produzido chega a ser aproveitada. “Os dados de pesquisa mostram que nós colhemos somente 50% do que a gente produz”, afirmou.

A avaliação frequente da quantidade de alimento disponível pode ajudar o pecuarista a ajustar a lotação e reduzir situações de subpastejo ou superpastejo. Também permite planejar com maior precisão o período de descanso necessário para a recuperação da forrageira.

Com informações mais detalhadas sobre cada piquete, o produtor pode tomar decisões sobre o deslocamento dos animais considerando a capacidade de suporte da área naquele momento, em vez de trabalhar apenas com intervalos previamente estabelecidos.

Tecnologia pode ser usada em propriedades de diferentes tamanhos

Segundo o pesquisador, o sistema foi desenvolvido para funcionar com drones comerciais e pode ser aplicado tanto em propriedades menores, com cerca de 20 hectares, quanto em áreas que chegam a 30 mil hectares.

Os equipamentos podem realizar voos de maneira autônoma, possibilitando o acompanhamento periódico das pastagens, desde que a operação siga as normas de segurança e a regulamentação para o uso de drones.

Além da avaliação da forragem, esses equipamentos podem ser utilizados em outras atividades no campo, como pulverização e aplicação de fertilizantes. Entre os benefícios apontados está a redução do tráfego de máquinas e, consequentemente, do pisoteio sobre determinadas áreas.

Os drones também podem mapear obstáculos existentes na propriedade, ampliando as informações disponíveis para o planejamento das operações.

Uma das áreas onde a tecnologia está sendo implementada é a Fazenda Tambatajá, em Alta Floresta (MT), onde está sendo estruturado um centro de pesquisa.

Para Barbero, aumentar a eficiência no uso das pastagens é um caminho importante para melhorar o resultado econômico dos sistemas de produção de bovinos. “O pasto é onde está o nosso gargalo para ter lucratividade dentro da pecuária”, concluiu.

Fonte: Giovanni Porfírio / Canal Rural
Curadoria: Camila Gusmão para o portal Boi a Pasto

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