janeiro 22, 2026

Sistemas integrados podem reter até 8 toneladas de carbono por hectare

Árvores em sistemas integrados com pecuária e lavoura podem reter, em média, até oito toneladas de carbono por hectare.

A conclusão está em pesquisa feita pela Embrapa Pecuária Sudeste, que verificou a retenção de 65 toneladas de carbono em eucaliptos ao longo de oito anos, indicando que sistemas sustentáveis de produção agropecuária podem, ainda, garantir uma renda extra para o produtor graças aos créditos de carbono.

Foram estudados dois sistemas agroflorestais: o Integração Pecuária-Floresta ou silvipastoril (SSP) e o Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Enquanto o primeiro envolve o plantio de forrageiras para pastagem do gado na mesma área em que se planta árvores para futura produção madeireira. O segundo faz o mesmo acrescentando uma lavoura. De acordo com os pesquisadores, ambos apresentaram boa capacidade de acúmulo de carbono.

“Na média, a produção de biomassa (a soma de troncos, galhos, folhas e raízes), foi de 145 toneladas por hectare ao longo de oito anos,” relata o pesquisador da Embrapa José Ricardo Pezzopane. Ainda segundo ele, quando consideramos apenas o tronco, o sistema ILPF possibilitou um acúmulo de carbono de 5,9 toneladas por hectare a cada ano, no sistema SSP, esse valor foi de 5,5 toneladas anuais por hectare.

 De acordo com a Embrapa, a alta capacidade que esses modelos têm de remover carbono pode ser suficiente para zerar as emissões da própria fazenda, e até mesmo gerar excedentes que poderiam ser vendidos na forma de créditos de carbono, certificado que comprova a redução das emissões de gases do efeito estufa. Mas, segundo Pezzopane, o potencial arbóreo depende em grande parte da espécie e da densidade de árvores na propriedade rural.

Os responsáveis pela pesquisa explicam que, para as árvores serem consideradas sequestradoras de carbono, seu uso deve estar relacionado à madeira sólida, em que o carbono ficará armazenado na biomassa por longos períodos. Porém, a integração pode fazer com que ocorre competição entre os componentes do sistema.

“Por exemplo, quando as árvores impedem a passagem da luz, interferem na produtividade da pastagem”, afirma o pesquisador. Nesses casos, a árvore muitas vezes é cortada e serve como lenha, liberando o carbono que coletou.

Pezzopane explica que um modelo que integra floresta e produção animal precisa criar um equilíbrio. “A gestão de sistemas integrados necessita do monitoramento de seus componentes produtivos para minimizar a competição interespécies e ajudar os agricultores a obter a produtividade satisfatória,” declara.

Fonte:  Globo Rural com curadoria Boi a Pasto.

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